“Nos comprometemos com as pessoas tantas vezes sem termos a noção do espaço que passaremos ocupar na vida dela. Eu confesso todas as minhas desilusões.
O espaço que fica daqui pra frente é uma narrativa minuciosa, par com a força que permanece pós sentimentos. Não me arrependo da matriz que me levou às apostas, a esperança incontida. Utopia do romantismo, mas, quem não o quer?
O lado seletivo e sereno da memória me mostra os sorrisos derradeiros, as gargalhadas e a companhia. Os apertos, os abraços e lógico, os melhores beijos.
Nitidamente, o desajeitado ato de arrumar o meu cabelo, o cafuné desengonçado, a nossa hiperatividade. Partes de mim no outro, no olhar insaciável de saudade e nas ocasiões que não tinham se quer explicação. Daquele lago, o sol, a árvore, eu, você, nada melhor que aquela sonoridade e a tua fala. O anseio de aquietar-se por ali.
Adolescência ingênua de ficar com as mãos entrelaçadas, ansiedade e expectativa para ninguém suspeitar da nossa paixão. O eufemismo da chegada. Os perdões e os pedidos. Me espera, me leva, me ajuda.
E é na memória que ficam as permissões, os sentidos mais devastadores que nos fazem rir carinhosamente pelo espaço e tempo de ocupação. Por aqui, nenhuma migalha de autopiedade, nenhuma ausência de amor. Só farturas de sonhos.
Mas, além da memória, fiquei à porta, não quis entrar. Neste lugar perene, anestesiado pela razão, eu não pretendo mais contar o conto. Mas desejo enternecer a fala.
De lá pra cá, no caminho de volta, a encontrei várias vezes, e ela me confessou estar cansada das minhas incorreções, mas que permanece cheia de fé nos meus encontros. Na despedida, me afagou com os olhos e pediu paciência. Voltei para casa com o ânimo e ela me explicou que amor pela metade não traz ritmo acelerado ao coração, e que tudo iria passar, para fazer chegar o novo de novo em qualquer lugar... Dormi com a gratidão e acordei com a certeza de que o amor um dia há de fincar. “

Lindo!
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